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Thursday, April 28, 2016

Vida de emigrante de Mala Feita: Ser emigrante não é para todos!

Boa tarde a todos!

Como está a correr a vossa semana? Para nós a está a ser mais uma semana de trabalho igual a todas as outras, mas segunda-feira temos feriado para animar! 



O artigo de hoje é para aqueles de vocês que tencionam fazer a mala e aventurar-se por Terras de Sua Majestade! 

Tenho escrito todos os artigos na primeira pessoa, mas pela primeira vez vou transmitir a opinião da comunidade que nos segue e com a qual temos tido contacto. 

A crescente dificuldade em encontrar emprego bem remunerado (ou simplesmente encontrar emprego, não obstante da remuneração) em Portugal, tem empurrado muitos portugueses além fronteiras. 

Muitos vêm em busca de uma vida melhor, outros em busca de um emprego na sua área de formação, alguns procuram simplesmente uma gratificante experiência internacional, mas muitos fogem de uma situação de instabilidade e desespero e vêem a emigração como o seu último reduto.  

Temos recebido testemunhos de todo o tipo de pessoas, com todo o tipo de proveniências e todo o tipo de ambições. A conclusão é simples e universal, emigrar não é para todo! Somos contactados quase diariamente com pedidos de ajuda, tentamos ao máximo ajudar através da nossa rede de contactos mas infelizmente não conseguimos chegar a todos. Temos ouvido testemunhos que nos deixam profundamente inquietos e por isso decidimos escrever este artigo, para evitar que também vocês que se encontrem futuramente em circunstâncias semelhantes. 

Famílias com crianças que se aventuraram sem trabalho nem apoio, famílias ilegais com dificuldade em arranjar trabalho, famílias que gastaram todas as suas poupanças e que quase já não têm o que comer, jovens que se aventuraram com o dinheiro contado, pessoas decepcionadas com a vida por aqui, porque imaginavam uma vida glamorosa de luxos, mas na realidade trabalham 12h por dia para ganhar o suficiente para pagar as contas. E a lista continua.... 

Há muitos emigrantes sem dinheiro sequer para regressar a Portugal. Há fome entre a comunidade Portuguesa no Reino Unido. Há muita solidão e desespero. Há vergonha de reconhecer que foi dado um passo maior que a perna. Há vergonha de admitir que o melhor é voltar atrás. 

Por vezes é necessário parar, equacionar tudo e se o melhor for voltar atrás fazê-lo com a consciência que é a melhor decisão. Sensatez a cima de tudo. Por vezes é necessário dar um passo atrás para dar dois à frente.

 um conjunto imenso de contingências que tornam o projecto de emigração num desastre, mas a falta de planeamento é o maior deles! Antes de partirem de mala feita por favor preparem-se muito bem! Falem com quem cá está, leiam blogs como este, certifiquem-se que têm tudo o que é necessário: coragem, força de vontade e a cima de tudo dinheiro suficiente porque emigrar é caro, principalmente para quem vem sem trabalho e sem apoio de família ou amigos por aqui! Vir para o UK sem um plano B pode fazer com que os próximos meses se tornem um autêntico desespero, por isso tracem um plano robusto e consciente. 

Emigrar é uma aventura, mas pode ser feita com capacete e caneleiras!


No nosso blog encontram alguns artigos que vos podem ajudar a planear a vossa aventura:
- Preços dos supermercados
- Planos de telemóvel


Certifiquem-se que lêem também os comentários uma vez que os nossos leitores deixam sempre dicas preciosas para complementar aquilo que nós escrevemos!


Espero que vos seja útil! Se algum dos nossos leitores tiver algo a acrescentar, algum conselho que queiram dar a quem vem para cá de mala feita, por favor façam-no nos comentários do blog ou facebook!



Para a semana há mais! Entretanto nãos se esqueçam de nos seguir no Facebook e Instagram! :)

Monday, February 29, 2016

Queres mudar-te para o Reino Unido? Estes são os primeiros passos!

Boa tarde,

Que tal esse fim-de-semana?! Nós fomos ao SEA LIFE London Aquarium e fizemos a Ghost Bus Tour! ADORÁMOS!!!! Fiquem atentos que em breve vamos publicar as reviews! Especialmente a do "The Ghost Bus Tours", esta aconselho mesmo!!!

Vamos avançar com o assunto de hoje! Desde que iniciámos este blog somos contactados quase diariamente por portugueses, brasileiros e espanhóis em busca de informação sobre o que fazer para trabalhar e viver aqui. Alguns porque são ambiciosos e procuram uma vida melhor, outros porque estão insatisfeitos com a situação económica e política do seu país natal, outros ainda porque se encontram em situação de desemprego (e muitas vezes desespero) e procuram uma solução para sustentar a sua família. 


Seja qual for a situação em que se encontram todos têm um denominador comum, a coragem e determinação de largar tudo e de mala feita dar um passo em frente. Admiramos muito o esforço que é necessário para tomar uma decisão destas (não só emocionalmente mas financeiramente também) e como tal temos todo o gosto em ajudar! Fazemo-lo sempre de forma muito racional e frontal, sem julgar ninguém (como infelizmente se vê muito nos grupos de portugueses no Facebook, o que me deixa profundamente triste!). 

Decidimos então fazer um artigo que sistematizasse as questões mais frequentes. Queremos apenas deixar bem claro que esta é a nossa experiência e é apenas com base nisso que podemos falar. Se alguém tiver algo a acrescentar agradeço muito que o faça nos comentários para potenciar ainda mais este artigo! 

A primeira coisa que quero transmitir é que este país não é o Eldorado, não chegamos cá e logo no aeroporto temos alguém à nossa espera com uma mala de cheia de dinheiro! É um país com algumas oportunidades (por enquanto) mas temos de ir à luta, tal como em qualquer sítio do mundo. É verdade que os ordenados são sobejamente mais elevados mas não se esqueçam que os gastos com habitação e transportes são elevadíssimos (arruínam o orçamento de qualquer família)! Não venham a pensar que vai ser tudo perfeito e que vão enriquecer logo no primeiro mês, porque não é verdade! Mas se vierem preparados para arregaçar as mangas, ir à luta e viver dentro das vossas possibilidades então força! Não venham para mostrar aos outros que agora ganham em libras, venham por vós, para aprender, para crescer e para desenhar um caminho mais risonho que aquele que Portugal vos pode proporcionar!

Para quem está a planear vir para cá mas está receoso devido ao referendo deste ano, podem obter mais informações aqui


Passos antes de vir

Nós soubemos que nos íamos mudar para cá aproximadamente duas semanas antes de sairmos de Portugal e o que fizemos durante essas duas semanas foi prepararmo-nos muito bem! Muitas horas de pesquisa no google depois, já tínhamos uma ideia daquilo que nos esperava! Esta pesquisa inicial foi essencial para não virmos completamente perdidos (coisas como preços da habitação, preços dos transportes, preços da alimentação, National Insurance Number, ...)! 

Além disso em Portugal fomos às Finanças e à Segurança Social para nos certificarmos daquilo que teríamos de fazer de forma a estar tudo legal. Quisemos ainda saber o que fazer para não sermos duplamente tributado no que diz respeito aos rendimentos auferidos aqui. Nas finanças disseram-nos que teríamos 6 meses para alterar a morada fiscal, caso contrário ficaríamos numa situação de ilegalidade e sujeitos à dupla tributação. Sei que há muitos portugueses a viver há vários anos em UK, sem nunca terem alterado a sua morada em Portugal, contudo, para jogar pelo seguro, nós já o fizemos! :)


A fazer quando chegar



No nosso caso esta foi a sequência de passos que tomámos:



1 - Arranjar habitação;
Quando chegámos ficámos 5 noites em hotéis em Hatfield enquanto procurávamos casa. Conseguimos uma casa exatamente como queríamos, totalmente mobilada e equipada e a uma distância suficiente que possibilitasse o Zé a ir a pé para o trabalho. Podem ver todas as informações sobre o processo de aluguer aqui

Muitas pessoas quando decidem mudar-se para cá têm algum tipo de apoio como amigos ou familiares, essa ajuda é preciosa, principalmente a nível económico, reduz drasticamente os gastos, por isso aproveitem quando alguém está disposto a ajudar-vos!



2 - Abrir conta bancária;

Depois de termos contrato de arrendamento assinado fomos abrir conta bancária ao centro de Hatfield. Começámos por ir ao Lloyds Bank mas exigiram-nos um documento do trabalho do Zé que comprovasse o tipo de contrato de trabalho (o que é ridículo porque nós tínhamos o contrato de trabalho na mão!), por isso decidimos tentar o HSBC. No HSBC foi sobejamente mais fácil, apenas precisaram do contrato de trabalho e do contrato de arrendamento et voilá! Bom, estou a simplificar bastante! Tivemos de fazer uma marcação para abrir conta e o processo de abertura de conta demorou 1h! Mas pronto, saímos de lá com o número da conta e o sort code, que é o necessário para processar o ordenado! Sabemos de algumas pessoas que abriram conta no Lloyds mesmo sem contrato de arrendamento, acho que deve variar de acordo com a dependência do banco onde nos deslocamos, por isso não custa tentar!


3 - Tratar do National Insurance Number;
Para tratar do NI tivemos de ligar para este número 0345 600 0643, responder a algumas questões e agendar uma data para uma "entrevista" presencial. As questões que nos colocaram ao telefone foram:
- Há quantos dias chegaste?
- De onde és?
- Tens trabalho?
- Onde estás a morar?

Passados 2 dias tivemos a nossa "entrevista" no Job Centre de Hatfield, levámos o contrato de trabalho do Zé, o contrato de arrendamento e o cartão de cidadão. Fazem algumas questões semelhantes às que colocam ao telefone, colocam tudo na base de dados e está feito. Quando saímos do Job Centre dão-nos um documento comprovativo do pedido do NI para entregar ao empregador até chegar o definitivo. Passado um mês recebemos o NI em casa. 


4 - Tratar do National Health Service Number;
- Vimos quais eram as clínicas ligadas ao NHS na nossa zona (http://www.nhs.uk/service-search) e escolhemos a que nos pareceu melhor (no nosso caso foi a Burvill House Surgery);

- Ligámos para confirmar o procedimento de registo;

- Fomos lá pessoalmente (não foi necessário marcar) e levámos cartão do cidadão e dois comprovativos de morada (no nosso caso levámos cartas do banco e o contrato de arrendamento) e preenchemos um formulário de registo (dados pessoais e histórico de saúde);

- No dia em que preenchemos o formulário foi marcada um consulta para a semana seguinte e deram-nos um recipiente para levar uma amostra de urina;

- Aproximadamente uma semana depois da consulta chega então o número do NHS à clínica onde nos inscrevemos (todo este procedimento é totalmente gratuito).


Habitação

O nosso processo de arrendamento decorreu da seguinte forma:

- Vimos a casa no website "Right Move" na sexta-feira à tarde e agendámos visita para sábado de manhã;



- No sábado vimos a casa e imediatamente mostrámos interesse em avançar com o arrendamento;


- Em seguida fomos ao escritório da Wrights Estate Agents (agência imobiliária que estava a tratar do aluguer), preenchemos um formulário, mostrámos a nossa identificação e pagámos 200£ para tratarem da papelada;

- As nossas informações foram envidas para uma empresa de credit checking que faz a avaliação dos potenciais inquilinos de forma a averiguar a sua capacidade para pagar a renda do imóvel;

- No sábado recebemos por email um formulário da empresa de credit checking para preenchermos (perguntam por exemplo o local de trabalho, o ordenado anual e pedem um contacto do local de trabalho);

- Nesse mesmo dia a empresa de credit checking enviou um email ao local de trabalho do Zé para os questionar quanto às condições de trabalho (tipo de contrato, remuneração e preservativas futuras);

- Na segunda-feira por volta das 12h recebemos o aval positivo e fomos à agência pagar a renda (950£) e a caução (1 425£);

- Na terça-feira por volta das 13h assinámos o contrato, recebemos a chave e mudá-mo-nos para cá!



Onde procurar habitação (casa ou quarto):
Zoopla

O preço da renda oscila muito, já vi quartos em Londres por 300£/mês mas longe do centro e quartos a 600£/mês nas zonas mais centrais. Daquilo que tenho conhecimento as zonas Sul e Este são as mais baratas para viver (mas atenção que algumas são mais baratas por serem mais desagradáveis!). O ideal é conseguir um equilíbrio entre o preço da renda e o preço dos transportes. Alguém que trabalhe na zona 1 ou 2 talvez não faça muito sentido morar na zona 6, porque o que poupa no quarto vai gastar em transportes. Nada como fazer uma boa pesquisa e fazer todas as continhas!

Só para terem uma ideia, estes são os preços do metro para 1 semana (ver mais aqui):

Zonas 1 e 2: £32.40

Zonas 1 a 3: £38.00

Zonas 1 a 4: £46.50

Zonas 1 a 5: £55.20
Zonas 1 a 6: £59.10


Existem muitas opções, studios, flats, casas partilhadas, quartos partilhados, quartos single, quartos duplos para uma pessoa, quartos duplos para duas pessoas, ... enfim. É uma questão de se habituarem à nomenclatura! 


Acho este mapa genial! Mostra o preço médio das rendas de acordo com a zona de Londres, tendo por base o mapa do metro. Não significa que seja 100% exacto (até porque é o preço da casa e não do quarto) mas serve de referência.



Esta cidade está super populada e sabemos que existem pessoas a viver em condições pouco agradáveis devido aos preços elevadíssimos das rendas. Este artigo da Time Out "24 of the weirdest properties advertised in London" mostra isso mesmo, como muitos dos senhorios se aproveitam desta situação para alugar espaços, que em nenhum outro país do mundo conseguiriam alugar! Já agora, isto são anúncios reais do Gumtree!

3. The 'snug' pad



Quanto às cauções, no nosso caso foram 6 semanas, mas conhecemos pessoas que moram em quartos e pagaram 2 semanas de caução, tudo depende do senhorio, é uma questão de negociar!

No nosso caso todas as contas estão incluídas, mas o normal quando se aluga uma casa é pagar o valor da renda e a isso somar o valor da água, eletricidade, gás e council tax (segundo o que sabemos estas contas podem rondar as 300£/mês para duas pessoas, até porque muitas vezes só o council tax são 100£ ou mais!). Se algum dos nossos leitores poder partilhar connosco quanto pagam de contas seria muito útil para quem nos segue, visto que essa experiência nós não podemos partilhar na primeira pessoa!

Viver no centro de Londres fica sempre mais caro! Se tiverem oportunidade de viver e trabalhar noutras cidades (como Cambridge, Manchester, Leeds, Hatfield, St. Albans, Surrey, ...) certamente terão menos gastos e quem sabe, mais qualidade de vida. Neste artigo estamos a explorar mais a zona de Londres porque é relativamente a esta zona que nos chegam a maioria das perguntas! 


Emprego

No nosso caso particular o Zé já veio com trabalho o que facilitou muito a nossa vida. Nós sabíamos que um mês depois de chegarmos receberíamos o primeiro ordenado, por isso estávamos relativamente descansados. 

A meu ver esta é a situação ideal, vir já com trabalho e contrato assinado! Alguém que venha sem trabalho tem de vir preparado para se sustentar durante 2 ou 3 meses até arranjar uma oportunidade, o que não é muito fácil mas há muita gente nessa situação!

O que muita gente acaba por fazer é vir sem trabalho, chega cá e tenta arranjar algo rápido no setor da restauração (por exemplo) para se sustentar enquanto procura trabalho na sua área de especialização. É uma forma perfeitamente válida de fazer as coisas e resulta para a maioria das pessoas. Não se esqueçam que implica um grande esforço da vossa parte! Sair do trabalho e enviar CVs diariamente, agendar entrevistas de forma "ninja" para não calhar no horário de trabalho e não desistir enquanto a vossa oportunidade não chegar!


Onde procurar trabalho:
Cv Library

Na próxima quinta-feira vamos lançar um artigo dedicado exclusivamente à procura de trabalho, por isso fiquem atentos!


Gastos

Depois de já estarmos cá há alguns meses, consigo fazer uma estimativa daquilo que são os nossos gastos mensais. Estes são os nossos gastos, possivelmente serão diferentes dos gastos de outros emigrantes portugueses, serve apenas como referência.

- Renda: £950 (com todas as contas incluídas)

- Transportes: £400 (como vivemos em Hatfield e eu trabalho em Londres, preciso do bilhete mensal para o comboio e metro, já o Zé vai a pé para o trabalho)

- Compras de alimentação: £220 (gastamos em média £55 por semana em compras para a casa)

- Comer fora (restaurantes e cafés): 
£200 (gastamos em média £50 por semana a comer fora, maioritariamente ao fim-de-semana quando vamos passear)

- Telemóvel: £20 cada um (plano pay as you go da EE)

- Ginásio: Eu pago £36 e o Zé paga £20


Estes são os nossos principais gastos fixos. Como vêm as maiores fatias são a renda e os transportes, e estes são os gastos que não podemos mesmo cortar! Tudo resto pode ser reduzido se for necessário. 

Frequentemente perguntam-nos quanto é preciso ganhar para ter uma boa qualidade de vida. No caso de um casal, se juntos ganharem £2500 será suficiente para fazer face às despesas e usar o restante para aproveitar a vida aqui! Obviamente que há quem viva com mais e há quem viva com menos, é tudo uma questão de equilíbrio e de prioridades! 

Muitas pessoas também nos perguntam quanto precisam para vir para cá viver. Esta é uma pergunta muito difícil porque depende de muitas variáveis. Vem sozinho? Vem com trabalho? Tem amigos/familiares com quem ficar? Para que zona vai? Posso apenas transmitir-vos aquilo que foi a nossa realidade. Até estarmos totalmente instalados gastámos £3500 (isto inclui os voos, os hotéis, a renda, a caução, as compras, ....) e depois mais £2100 até o Zé receber o primeiro ordenado. Mas cada caso é um caso! Isto serve apenas para terem uma ideia, nada mais.



É preciso coragem, força de vontade e principalmente é preciso fazer bem o trabalho de casa e trazer tudo bem preparadinho. Ponderem bem e se estiverem em posição de o fazer, arrisquem! Se não for para a vida toda que seja o suficiente para aprenderem a língua e para terem uma nova linha no currículo o que em Portugal pode valer ouro! 





Boa sorte! =D